
com texto de Julia Bogaz Asakawa
A água é vital para o nosso desenvolvimento em todos os sentidos: as primeiras formas de vida surgiram na água, de 60% a 70% do nosso corpo é água, indústria e agricultura precisam de água, nossa sobrevivência depende da água. Não é à toa que hoje ela é uma das matérias primas mais importantes do mundo. Apesar de quase ¾ da superfície do planeta ser água, apenas 3% é água doce e menos de 0,08% está disponível para uso pelos seres humanos.
Segundo a ONU, uma a cada cinco pessoas no mundo não tem acesso à água potável; metade da população não possui saneamento básico; e cerca de 6 mil crianças morrem diariamente devido a doenças ligadas à deficiência de água.
Não há mais ou menos água disponível agora do que antigamente, o volume total se manteve constante em função do ciclo hidrológico. Mesmo assim, por que a crise da água fica cada vez mais grave? Porque o problema não é a água, somos nós.
Em função desses problemas, a ONU declarou o dia 22 de março como o Dia Mundial da Água. O tema desse ano é Água Compartilhada – Oportunidades Compartilhadas, com ênfase nas questões relacionadas ao uso das águas entre nações.
O Brasil, que tem aproximadamente 12% da água doce do planeta, sofre com distribuição desigual em seu território. O semi-árido brasileiro é uma região de déficit hídrico, o que quer dizer que a chuva que cai é menor do que a evaporação. O índice de preciptação é elevado, mas a água não consegue penetrar no solo e logo se evapora. Portanto, soluções para armazenar a água das chuvas – tanto no solo como em tanques - são fundamentais.
João Amorim, da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), explica: “Falar em combate à seca no Nordeste é o mesmo que falar em combate à neve no Alasca”. A maior articulação da sociedade civil brasileira, que reúne cerca de 750 organizações, trabalha com o conceito de convivência com o semi-árido. Isso significa conhecer a fundo as condições ecológicas, sociais e políticas da região ao propor soluções para a melhoria da qualidade de vida da população.
O Programa 1 Milhão de Cisternas Rurais (P1MC) é a primeira resposta da ASA a esse desafio. Atrelado a dinâmicas de mobilização social e resgate da cidadania, o programa tem como base a construção de tanques de armazenamento de águas pluviais para garantir a segurança hídrica da população. A um custo menor que 2 mil reais, é possível construir cisternas que atendem uma família de 5 pessoas por um ano em suas necessidades básicas – água para beber, cozinhar e assegurar a higiene.
Essa estratégia libera as famílias, especialmente mulheres e crianças, das jornadas diárias em busca de água. Com disponibilidade para estudar e trabalhar, cria-se impacto na escolarização e ativação de economias locais. Além disso, rompe-se a lógica da política da seca, na qual a população fica vulnerável aos interesses dos donos de caminhões-pipa. “Água própria” representa autonomia e poder para moradores de comunidades rurais da região.
Até o momento, o P1MC já construiu quase 250 mil cisternas, totalizando 4 bilhões de litros de água potável armazenadas, que beneficiam diretamente 1,25 milhão de pessoas. Financiam o projeto o Governo Federal e a Federação Brasileira de Bancos, além de organições locais.
Conheça mais sobre esse e outros programas da ASA em www.asabrasil.org.br
Leia mais sobre a questão da água no Brasil nos links