
Uma conexão inteligente entre artesanato e internet, comércio e ação social. É a partir desses eixos que a Rede Tekoha se propõe a atuar como uma empresa social, empreendimento que reúne características de empresas convencionais e ONGs.
A ideia é simples: ser uma plataforma de comercialização de produtos artesanais de comunidades tradicionais, e também produtos de pequenas empresas e ONGs com ativos sociais e ambientais. Através das vendas, se criam condições de desenvolvimento sustentável para essas comunidades e organizações, fortalecendo o vínculo das pessoas com a terra em que vivem e suas tradições. Ao mesmo tempo, se proporciona uma experiência intercultural para os consumidores finais. "Nossos produtos inspiram as pessoas a aprender e interagir com uma cultura diferente", expica Henrique Bussacos, administrador, um dos idealizadores da Rede.
O diferencial dessa proposta? "A Tekoha Comércio cria uma organização sem muros, que permite múltiplas conexões entre os públicos de interesse, de forma que todos os stakeholders (públicos de interesse) tornem-se shareholders (acionistas)", continua Henrique.
O leitor não iniciado nas ciências administrativas deve ter dificuldade para entender essa explanação cheia de jargões. Em outras palavras, os papéis e benefícios de cada público de interesse: "comunidades e cooperativas ganham na Tekoha canais comerciais efetivos para seus produtos. Os colaboradores da empresa são acionistas do negócio. Os clientes, por sua vez, participam da gestão ao escolher a destinação de parte dos recursos injetados na organização e ao co-criar novos produtos e serviços. Investidores têm compromisso de longo prazo com a organização e seu impacto socioambiental", explica Henrique. Investidores comprometidos com os resultados do negócio e não apenas com seu retorno financeiro permite que a Tekoha aplique maior volume de capital em iniciativas comunitárias que têm objetivos sociais ou ambientais. A coerência total entre o foco de negócio da empresa e sua missão social maximiza investimentos e resultados.
Investidores recebem seu capital de volta e participam de uma comunidade de prática para repensar o sistema econômico orientado a negócios sociais. Muitos dos contratos na Rede Tekoha são feitos como acordos, pois existe pouco marco jurídico nesta área, além de empecilhos fiscais. No entanto, essas dificuldades não impedem a equipe de sonhar e concretizar novos modelos de negócio.
Escopo e metodologia de atuação
São duas as principais frentes de trabalho: de um lado, a busca constante por comunidades tradicionais com uma produção artesanal ligada à identidade cultural. De outro, a prospecção e abertura de mercados. Ao identificar oportunidades de negócio, a Tekoha realiza a aproximação com o grupo produtor.
A compra acontece de forma a capacitar comunidades produtoras para relacionamento com outros clientes. O processo de precificação é cuidadosamente explicado, esclarecendo dinâmicas de mercado, seus custos e tempos. Nada é imposto, tudo é conversado: os termos são negociáveis e o processo comercial é também um processo de aprendizagem conjunta, no qual todos são educadores e aprendizes. Há uma relação de parceria equilibrada, sem assistencialismo.
Junto às comunidades com as quais trabalha a empresa Tekoha é vista como parceira de destaque, por sua transparência e respeito pela diversidade de pontos de vista.
Quando necessário, é oferecida capacitação em design como forma de valorizar a produção.
A Tekoha realiza vendas através de seu site e em pontos de venda localizados em São Paulo, além de atuar no mercado de brindes corporativos e no mercado internacional, divulgando através do comércio a cultura brasileira nas diferentes partes do planeta. "Acreditamos que o consumo deve ser uma oportunidade para as pessoas exercerem seus valores, conhecer novas culturas e fazer tudo isso com consciência", explica Andressa Trivelli, uma das colaboradoras-acionistas.

A comunidade de Urucureá, com cerca de 50 famílias, fica situada na Amazônia, próxima da cidade de Santarém (PA), e é conhecida na região pela qualidade de seus artesanatos. A ativação das vendas contribuiu para resgatar essa prática tradicional, que vinha sendo abandonada.
A Rede Tekoha pretende criar uma referência para o desenvolvimento de negócios sociais: um modelo que se estrutura como um negócio para resolver problemas socioambientais, uma nova forma de promover o desenvolvimento humano. Não é só o fim que muda: todos os processos são reinventados para atingir este fim.
O trabalho já vem sendo reconhecido. A iniciativa é um das finalistas do Prêmio Fecomércio de Sustentabilidade, que irá premiar empresas que de fato incorporam a responsabilidade social e ambiental aos seus negócios.
"Nossa visão para o futuro é de uma organização capaz de se expandir como rede e não como uma única organização. Não temos muitas respostas quanto a como fazer um negócio social dar certo, mas junto com outras iniciativas estamos abrindo caminho para uma nova geração de empreendimentos capazes de solucionar desafios sociais e ambientais", conclui Andressa. A Giral também acredita nessa ideia.
Conheça os produtos vendidos pela Tekoha nas fotos abaixo e na loja virtual. No site você encontra ainda informações sobre precificação. Visite também o blog Tekoha, com fotos e vídeos sobre as comunidades parceiras.
O campim-dourado é uma espécie endêmica da região do Jalapão, no Tocantins, e matéria-prima para o artesanato tradicional. A comunidade dos Mumbuca é a mais antiga praticante dessa arte.

Artesanato feito em capim-dourado pelos Mumbuca. A comunidade fica próxima do município de Mateiros (TO) e é formada por 165 moradores, em sua maioria descendentes de escravos que saíram da Bahia em 1909 buscando melhores condições de vida. A expressão indígena "mumbuca" refere-se a um tipo de abelha azul muito comum nessa região.


A Oficina de Artes Boracea nasceu a partir de um trabalho com pessoas que viviam em albergues da prefeitura de São Paulo, com o objetivo de melhorar a situação financeira a partir daquilo que eles já faziam: catar lixo. Com o apoio de designers, desenvolveram a técnica que reutiliza rejeitos de papel em belíssimas peças de arte, bijuterias e utilitários. As peças das fotos acima são feitas de jornal.

Paquetá é considerado um dos bairros mais degradados de Santos (SP), marcado por cortiços, prostituição, desemprego e criminaidade. Desse desafio, lideranças femininas estão criando soluções para melhorar a renda e sua qualidade de vida. É o caso das Raízes Corticeiras e seu artesanato em chita. Este grupo de artesãs se realiza quando vê pessoas valorizando sua arte e exibindo seus colares. O artesanato gera de renda e aumenta a auto-estima da comunidade.