Saco é um saco

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Até que enfim. Já passava da hora de surgir uma campanha para estimular a eliminação do uso dos sacos plásticos, que já atingem uma inacreditável média de 800 unidades ao ano por brasileiro. 

Depois que o consumidor chega em casa e organiza suas compras nos devidos lugares, as sacolinhas viram um amontoado de material desnecessário e de destino incerto.

O plástico leva cerca de 400 anos para se decompor em aterros sanitários ou lixões e o uso de material descartável em excesso resulta no acúmulo de lixo que vai parar nos bueiros, rios e mares, matando animais, demandando altos investimentos do governo para limpar essa bagunça e piorando a qualidade de vida das pessoas. 

São distribuídas, no mundo, entre 500 bilhões e um trilhão de sacolas plásticas por ano. Um produto que têm custo zero para o cliente, mas requer recursos para solucionar as complicações que causam a longo prazo.

Por que as pessoas insistem, afinal de contas, em usar sacolinhas? Uma das causas, de acordo com o Ministério, é uma característica da sociedade brasileira: o reuso para o acondicionamento de lixo, que acontece em todas as classes sociais. São especialmente úteis para as populações de classe baixa, que não tem o costume de comprar sacos de lixo por causa do preço.

Mas sabemos que boa parte dos grandes consumidores de sacolinhas não estão inclusos nessa parcela da população. Para esses, vale a dica: não é preciso colocar o lixo no saquinho e, depois, no sacão. Você pode colocar seus resíduos diretamente no saco grande. O planeta agradece.

Sem saco

Aos poucos, a nova moda vem pegando. E, como toda nova moda, nada mais é que um resgate de antigos hábitos, dos tempos em que éramos mais sustentáveis. As lindas e coloridas sacolas de feira e outros modelos retornáveis estão conquistando espaço, e já viraram um brinde corporativo comum.

A Associação Catarinense de Supermercados, em parceria com o Ministério Púbico daquele estado, criou ainda em 2008 uma ação para incentivar supermercadistas a abandonar as sacolas plásticas. Não é obrigatório aderir, mas muita gente se entusiasmou: redes de varejo em cidades do interior se organizaram em iniciativas conjuntas para abolir as sacolinhas. Em São Paulo, o atacadista Assai deixou de distribuir sacos plásticos gratuitamente. Os clientes podem utilizar caixas de papelão disponibilizadas pelo supermercado e, se quiserem saquinho plástico, têm que comprar. A rede Pão de Açúcar lançou em março um programa que premia com vale-compras clientes que utilizam sacolas retornáveis. No Chile, está em análise um projeto de lei que proíbe, a partir de 2011, a produção, importação, distribuição e venda de sacolas plásticas como meio de embalagem de mercadorias em todos os estabelecimentos do país. Números oficiais do governo britânico mostram que o consumo de sacolinhas na Inglaterra caiu pela metade entre 2006 e 2009.

Essas iniciativas governamentais e empresariais são excelentes para disseminar a ideia, mas não diminuem a importância da mudança de atitude individual. Você faz toda a diferença: adote uma sacola retornável e lembre de carregá-la sempre com você. Você verá como é simples e confortável. Sem falar na satisfação que causa se sentir contribuindo para um mundo mais limpo.

Além de mudar sua própria atitude, você pode cutucar os amigos. Passe essa campanha pra frente. O vídeo oficial é uma forma legal de transmitir a ideia, pois é bem simpático e sintético.

Saco é mesmo um saco, mas vai deixar de ser.

 

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