Comércio transparente

_JRB9724.JPG

Uma conexão inteligente entre artesanato e internet, comércio e ação social. É a partir desses eixos que a Rede Tekoha se propõe a atuar como uma empresa social, empreendimento que reúne características de empresas convencionais e ONGs.

A ideia é simples: ser uma plataforma de comercialização de produtos artesanais de comunidades tradicionais, e também produtos de pequenas empresas e ONGs com ativos sociais e ambientais. Através das vendas, se criam condições de desenvolvimento sustentável para essas comunidades e organizações, fortalecendo o vínculo das pessoas com a terra em que vivem e suas tradições. Ao mesmo tempo, se proporciona uma experiência intercultural para os consumidores finais. "Nossos produtos inspiram as pessoas a aprender e interagir com uma cultura diferente", expica Henrique Bussacos, administrador, um dos idealizadores da Rede.

O diferencial dessa proposta? "A Tekoha Comércio cria uma organização sem muros, que permite múltiplas conexões entre os públicos de interesse, de forma que todos os stakeholders (públicos de interesse) tornem-se shareholders (acionistas)", continua Henrique.

O leitor não iniciado nas ciências administrativas deve ter dificuldade para entender essa explanação cheia de jargões. Em outras palavras, os papéis e benefícios de cada público de interesse: "comunidades e cooperativas ganham na Tekoha canais comerciais efetivos para seus produtos. Os colaboradores da empresa são acionistas do negócio. Os clientes, por sua vez, participam da gestão ao escolher a destinação de parte dos recursos injetados na organização e ao co-criar novos produtos e serviços. Investidores têm compromisso de longo prazo com a organização e seu impacto socioambiental", explica Henrique. Investidores comprometidos com os resultados do negócio e não apenas com seu retorno financeiro permite que a Tekoha aplique maior volume de capital em iniciativas comunitárias que têm objetivos sociais ou ambientais. A coerência total entre o foco de negócio da empresa e sua missão social maximiza investimentos e resultados. 

Investidores  recebem seu capital de volta e participam de uma comunidade de prática para repensar o sistema econômico orientado a negócios sociais. Muitos dos contratos na Rede Tekoha são feitos como acordos, pois existe pouco marco jurídico nesta área, além de empecilhos fiscais. No entanto, essas dificuldades não impedem a equipe de sonhar e concretizar novos modelos de negócio.

Escopo e metodologia de atuação

São duas as principais frentes de trabalho: de um lado, a busca constante por comunidades tradicionais com uma produção artesanal ligada à identidade cultural. De outro, a prospecção e abertura de mercados. Ao identificar oportunidades de negócio, a Tekoha realiza a aproximação com o grupo produtor.

A compra acontece de forma a capacitar comunidades produtoras para relacionamento com outros clientes. O processo de precificação é cuidadosamente explicado, esclarecendo dinâmicas de mercado, seus custos e tempos. Nada é imposto, tudo é conversado: os termos são negociáveis e o processo comercial é também um processo de aprendizagem conjunta, no qual todos são educadores e aprendizes. Há uma relação de parceria equilibrada, sem assistencialismo.

Junto às comunidades com as quais trabalha a empresa Tekoha é vista como parceira de destaque, por sua transparência e respeito pela diversidade de pontos de vista.

Quando necessário, é oferecida capacitação em design como forma de valorizar a produção.

A Tekoha realiza vendas através de seu site e em pontos de venda localizados em São Paulo, além de atuar no mercado de brindes corporativos e no mercado internacional, divulgando através do comércio a cultura brasileira nas diferentes partes do planeta. "Acreditamos que o consumo deve ser uma oportunidade para as pessoas exercerem seus valores, conhecer novas culturas e fazer tudo isso com consciência", explica Andressa Trivelli, uma das colaboradoras-acionistas.

artesanato tradicional do Pará em fibra de tucumã

A comunidade de Urucureá, com cerca de 50 famílias, fica situada na Amazônia, próxima da cidade de Santarém (PA), e é conhecida na região pela qualidade de seus artesanatos. A ativação das vendas contribuiu para resgatar essa prática tradicional, que vinha sendo abandonada. 
 

A Rede Tekoha pretende criar uma referência para o desenvolvimento de negócios sociais: um modelo que se estrutura como um negócio para resolver problemas socioambientais, uma nova forma de promover o desenvolvimento humano. Não é só o fim que muda: todos os processos são reinventados para atingir este fim.

O trabalho já vem sendo reconhecido. A iniciativa é um das finalistas do Prêmio Fecomércio de Sustentabilidade, que irá premiar empresas que de fato incorporam a responsabilidade social e ambiental aos seus negócios.

"Nossa visão para o futuro é de uma organização capaz de se expandir como rede e não como uma única organização. Não temos muitas respostas quanto a como fazer um negócio social dar certo, mas junto com outras iniciativas estamos abrindo caminho para uma nova geração de empreendimentos capazes de solucionar desafios sociais e ambientais", conclui Andressa. A Giral também acredita nessa ideia.

Conheça os produtos vendidos pela Tekoha nas fotos abaixo e na loja virtual. No site você encontra ainda informações sobre precificação. Visite também o blog Tekoha, com fotos e vídeos sobre as comunidades parceiras.


O campim-dourado é uma espécie endêmica da região do Jalapão, no Tocantins, e matéria-prima para o artesanato tradicional. A comunidade dos Mumbuca é a mais antiga praticante dessa arte.

Artesanato feito em capim-dourado pelos Mumbuca. A comunidade fica próxima do município de Mateiros (TO) e é formada por 165 moradores, em sua maioria descendentes de escravos que saíram da Bahia em 1909 buscando melhores condições de vida. A expressão indígena "mumbuca" refere-se a um tipo de abelha azul muito comum nessa região.

A Oficina de Artes Boracea nasceu a partir de um trabalho com pessoas que viviam em albergues da prefeitura de São Paulo, com o objetivo de melhorar a situação financeira a partir daquilo que eles já faziam: catar lixo. Com o apoio de designers, desenvolveram a técnica que reutiliza rejeitos de papel em belíssimas peças de arte, bijuterias e utilitários. As peças das fotos acima são feitas de jornal.

Paquetá é considerado um dos bairros mais degradados de Santos (SP), marcado por cortiços, prostituição, desemprego e criminaidade. Desse desafio, lideranças femininas estão criando soluções para melhorar a renda e sua qualidade de vida. É o caso das Raízes Corticeiras e seu artesanato em chita. Este grupo de artesãs se realiza quando vê pessoas valorizando sua arte e exibindo seus colares. O artesanato gera de renda e aumenta a auto-estima da comunidade.

Enviar novo comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido publicamente.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.

Mais informações sobre opções de formatação

You can change the default for this field in "Comment follow-up notification settings" on your account edit page.

Novidades da Giral

Receba as novidades de nosso site em seu e-mail.

Inscrever meu e-mail

Conteúdo sindicalizado

Flickr da Giral

Recicla Trancosolaboratório de alevinosRoda da BelezaViveiro comunitário - II EncontroPousada Bendito SejaPousada Bendito SejaBiorremediaçãoemoção

tags do minhocario

água arte artesanato ASA bancos comunitários biodiversidade brasileirantes campanha captação de recursos certificação cidadania conservação consumo consciente cultura desenvolvimento local dia mundial da água economia solidária educação evento mata atlântica meio ambiente negócios rã-bugio reciclagem semi-árido